Se você deseja compartilhar sua história de vida e amor incondicional, escreva um e-mail para joanaschmitz@yahoo.com.br

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Palavras não são necessárias


Um vídeo que está fazendo sucesso na internet mostra como a palavra aborto é representada na Língua Americana de Sinais. Uma mulher representa com gestos carregar um bebê e depois jogá-lo fora com uma das mãos.

As imagens forma publicadas no site Stand for Life, que também divulgou um link para ver outras versões da palavra aborto em sinais americanos. Veja aqui como se descreve o aborto em Libras (Língua Brasileira de Sinais). 


quinta-feira, 23 de maio de 2013

O feto possui uma psique própria?


artigo reproduzido a partir do site Crescer com Colo  

A Dra. Alessandra Piontelli, psicanalista italiana, acompanhou, durante vários meses, 11 fetos: quatro gestações gemelares e três singulares, a partir da 16ª semana de gravidez.

Dentre as gestações gemelares, observou, através do ultra-som, cinco a seis vezes ao mês, um caso de gêmeos dizigóticos ou bivitelinos (formados por dois ovos distintos), uma menina e um menino. Seguindo-os por vários meses, familiarizou-se tanto com o feitio deles que foi capaz de descrever à mãe qual seria o comportamento de ambos, após o parto.

Na ecografia, observou que a menina era expansiva, buscava o contato com o irmão, mas este retraía-se e enfiava a cabeça na placenta ou tapava o rosto com as mãos, fugindo dela. Com base nesse comportamento, a Dra. Piontelli previu que a menina seria agitada, nervosa, enquanto que o irmãozinho seria de temperamento retraído e acanhado. Para espanto da mãe, após o nascimento, tudo se confirmou: realmente ele era do tipo quieto e a menina mais irrequieta.

imagens: BBC Brasil
Com suas observações, a psicanalista aclarou muitos aspectos da personalidade dos fetos observados durante as suas pesquisas, antes mesmo do nascimento. Via-os chupando o dedo, espreguiçando-se, esfregando os pezinhos e as mãozinhas, coçando-se, enfim, aproveitando a liberdade de movimentos dentro do líquido amniótico. Cada feto apresentava um comportamento muito próprio, tinha o seu feitio. A Dra. Piontelli assinalava o traço marcante de cada um, se era calmo, nervoso, pensativo ou se trazia, por exemplo, a característica de uma bailarina. Ela acompanhou-os não apenas durante o período pré-natal, mas também no decorrer do primeiro ano de vida e muitos até completarem cinco anos. E pôde constatar que o padrão de comportamento se confirmava em todos os casos, no decorrer do seu desenvolvimento. 

Verificou-se que cada feto assim como cada recém-nascido, é um ser altamente individualizado. Não é de modo algum uma tábua rasa, como se poderia supor, esperando ser moldado, exclusivamente pelo meio ambiente. Tem vida emocional própria: experimenta prazer e desprazer, dor, tristeza, angústia ou bem-estar e tem um relacionamento intenso com sua mãe, sendo capaz de captar os seus estados emocionais e sentir quais os sentimentos de afetividade dela em relação a ele. (livro De Feto a Criança)
Com oito semanas, o feto consegue chutar e espichar as pernas, e também mover os braços para cima e para baixo. (imagens: BBC Brasil)

imagens: BBC Brasil
Outra experiência interessante que demonstra a existência da individualidade própria do feto foi realizada em 1982, por Anthony DeCasper, pesquisador norte-americano: ele instruiu um grupo de mulheres grávidas para que lessem, em voz alta, cinco semanas antes do parto, determinada história infantil. Três dias após o nascimento, duas histórias foram lidas aos bebés: a que eles já conheciam, desde o final da gestação, e uma outra desconhecida. As reações foram medidas através do número de sucções do bebê. Verificou-se que eles sugavam com mais frequência quando ouviam a história conhecida.

Os problemas psicológicos ocorridos na fase pré-natal afetam a vida ultrauterina. A Dra. Myriam Szejer, psicanalista de bebês, tem importante casuística de suas “conversas” com recém-nascidos, que demonstram o valor terapêutico no alívio e na solução desses conflitos. Um dos casos, relatados no seu livro Palavras para Nascer, é particularmente doloroso.

Numa gravidez gemelar, havia uma malformação muito grave numa das gêmeas. Segundo prognósticos médicos, ela poderia nascer, mas teria um curto período de sobrevivência. Como na França, país em que a Dra. Szejer vive, o aborto é legal, os médicos aconselharam aos pais a interrupção in-útero da vida do feto. Uma vez aceita a sugestão, a interrupção foi feita, tardiamente, tendo o feto morto permanecido no útero até o nascimento da irmã, o que se deu, por cesariana, 15 dias depois. Mas, tal como previra a Dra. Szejer, a gêmea sobrevivente, de nome Léa, teve sérios problemas, logo após o nascimento: não se alimentava e quando era amamentada à força, regurgitava sem parar, colocando em risco a própria vida.

Os problemas eram óbvios para a psicanalista: Léa tinha atrás de si vários meses de companheirismo com a irmã gêmea, e esta, de repente, ficara inerte, desaparecendo depois, completamente, do seu contato. Foi preciso um trabalho muito intenso da Dra. Szejer, muitas conversas com Léa, até que a recém-nascida conseguisse se recuperar do luto da irmã, aprendendo a mamar sozinha, e em grande quantidade, para finalmente ganhar peso e alta hospitalar duas semanas depois.


Um caso interessante para demonstrar também o psiquismo independente do feto é o narrado por Thomas Verny e John Kelly no livro A Vida Secreta da Criança antes de nascer, que influenciou especialistas em muitos países, inclusive o Brasil.

Verny conta o caso da bebê Kristina, que lhe foi relatado pelo Dr. Peter F. Freybergh, professor de obstetrícia e ginecologista da Universidade de Upsala, na Suécia. Kristina era um bebê robusto e comportado que revelou um estranho comportamento: recusava-se a mamar no seio da mãe. Aceitava a mamadeira ou o seio de outras mães, mas não queria nada com o alimento materno.

O Dr. Peter, indagando da mãe a razão de tal comportamento, recebeu um “não sei” como resposta. Ela dizia não saber o motivo. Quando, porém, o Dr. Peter foi mais incisivo na pergunta: “Mas você desejava realmente esta gravidez?”. Ela esclareceu: “Eu queria abortar, mas meu marido desejava esta criança, então, mantive-a”.

“Isto era novidade para o Peter, mas obviamente não o era para Kristina”, comenta o Dr. Verny. E acentua: “Ela havia percebido há muito tempo a rejeição de sua mãe e recusava-se a formar a ligação com esta, após o nascimento. Afetivamente rejeitada no útero, Kristina, com apenas quatro dias de vida e inteiramente dependente, estava firmemente decidida a rejeitar a sua mãe”.

Concluindo: “É provável que, com tempo, amor e paciência, a mãe de Kristina ganhe, de novo, a afeição da criança. Mas esta já existiria se a ligação tivesse sido formada antes do nascimento”.


imagens: BBC Brasil
Como e quando Kristina “soube” da rejeição? Os pesquisadores não têm, ainda, todas as respostas. Sabe-se, no entanto, que, desde o zigoto, existe a comunicação fisiológica ou biológica intensa, entre os dois seres, intermediada por hormônios, neurotransmissores, substâncias do sistema de defesa, etc. tudo devidamente registrado pela extraordinária capacidade de memorização do embrião, desde a formação da célula-ovo.

Por esses e outros dados, a Dra. Joanna Wilheim afirma, com justa razão: “Se conceituarmos inteligência como a capacidade para auto-gerir-se mentalmente; adaptar-se e adequar-se a situações novas; selecionar condições e aproveitar experiências – o que implica aprendizado e memória -, podemos concluir que de fato elas estão presentes no feto desde o período inicial da gestação”. (ver também o livro O que é a Psicologia Pré-Natal)


Dr.ª Marlene Nobre, presidente da Associação Médico Espírita do Brasil

terça-feira, 7 de maio de 2013

Andrea e Antonella



Compartilho com vocês um testemunho muito especial, da Andrea, uma jovem mãe que decidiu ter sua bebê com anencefalia, em uma gestação não planejada mas recebida com amor. Antonella nasceu com anencefalia e viveu por mais de 5 meses além da gestação, período em que ficou em casa com sua família, trazendo alegria e aprendizado a todos.



Olá, meu nome é Andrea e esta é a história da minha princesa Antonella.

Com 16 anos, fiquei grávida de minha princesa Antonella e com 4 meses de gravidez, descobri que minha bebê tinha uma malformação chamada anencefalia.

O médico me disse que minha bebê era incompatível com a vida e que no momento em que nascesse ela iria morrer. Obviamente, essa notícia me destroçou e fiquei muito mal.

Nunca pensei em abortar minha filha, sempre disse desde pequena que os bebês são uma benção e que eles não tem culpa de nada. Segui com minha gravidez feliz apesar da notícia. Eu falava com ela, cantava, etc. igual a um bebê normal, e aproveitei minha gravidez ao máximo.

A “Antito” nasceu com 41 semanas de parto normal, sem nenhuma complicação, graças a Deus. Minha pequena “milagre”, que morreria ao nascer, nos deu uma grande surpresa... Passaram-se as horas, os dias, os meses e ela seguia bem e me acompanhando a cada dia. Em outubro do ano passado (2012), minha pequena ficou doente e foi hospitalizada com pneumonia, até que em meus braços abriu suas asinhas.

Por 5 meses e 4 dias esteve comigo essa anjinha, e foram os melhores meses da minha vida... Deus sabe o porquê das coisas e quis que este pequeno anjo me acompanhasse por quase 6 meses. Espero que meu testemunho sirva a muitas mães que estão passando pelo mesmo ou por uma situação semelhante. 
Beijos a todas.

Digamos SIM À VIDA”.

Andrea Vera Tapia – Chile


Relato traduzido da página Asociación Por la Vida y los Derechos Humanos, com permissão de Andrea e dos administradores.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Mãe consegue concluir processo de adoção após a morte de sua filha adotiva especial

Adoção especial: maternidade e amor além da vida



Recebi hoje essa matéria publicada no site Última Instância, indicada por uma querida amiga do Face, Amanda Ribeiro. Fiquei profundamente emocionada e ainda estou com essa história  comovente, por isso venho aqui compartilhá-la com vocês! 

Um resumo do que aconteceu: Uma pedagoga catarinense decidiu adotar uma bebê com grandes necessidades especiais que havia sido abandonada por seus pais biológicos, em um quadro de saúde bastante delicado. Adaptou toda sua vida para cuidar dessa pequena criança que se tornou sua filha por uma escolha do coração. Com 16 meses de vida a menina veio a falecer por complicações de saúde, quando o processo de adoção ainda não havia sido concluído. Ela decidiu então pedir à Justiça a conclusão do processo de adoção, mesmo após a morte da filha, um caso excepcional e inédito no Estado em que ocorreu, em Santa Catarina.

Este lindo exemplo me levou às lágrimas, pois entendo bem o coração dessa mãe, e sei o quanto é importante o nome e reconhecimento de um filho, mesmo e especialmente quando não está mais conosco. Tudo que temos de concreto é seu nome e sua memória, e as lembranças e esperanças guardadas no nosso coração.

Segue a matéria na íntegra, de autoria da redação do Última Instância (os destaques em negrito e o glossário ao final são meus):

Justiça registra primeiro caso de adoção 'post mortem' de Santa Catarina 

O juiz Ademir Wolff, titular da Vara da Infância e Juventude da comarca de Itajaí, deferiu (1) pedido de adoção post mortem (2) formulado por uma pedagoga - a criança sob sua guarda faleceu antes da conclusão do processo, em tramitação naquela unidade jurisdicional. O pleito, sui generis (3), não previsto em lei e nem sequer registrado anteriormente pela Justiça de Santa Catarina e, foi atendido com base no bom senso e no princípio da razoabilidade, sustentado ainda no estudo social do caso. 
Em dezembro de 2011, a criança foi abandonada após o nascimento. Apresentava estado de saúde preocupante: síndrome de Down leve, lesão neurológica, mosaicismo, hipotonia, sucção débil, cardiopatia congênita e síndrome de West - que se trata de uma lesão cerebral grave. Este quadro não impediu a pedagoga de candidatar-se à adoção e obter a guarda provisória da criança. Solteira, a adotante voltara a residir com seus pais para melhor atender às necessidades da menina. Não obstante, ela morreu no último dia 22 de abril, oportunidade em que a pedagoga dirigiu-se ao Fórum, comunicou o fato e registrou seu interesse em concluir o processo de adoção. 
“É evidente que seria mais prático extinguir o processo sem resolução do mérito, mas se trata de um caso, com certeza, sui generis”, reconheceu o juiz Wolff. No seu entendimento, cabe ao Judiciário reconhecer o esforço desta mãe. “(Ela) quer evidentemente continuar sendo mãe e ver o nome pelo qual chamava a filha (…) gravado em sua lápide, preservando-se inclusive o direito de cultuar a filha que era sua, e não mais daqueles que renunciaram ao poder familiar”, anotou o magistrado. 
O juiz ressaltou que a decisão de conceder a adoção post mortem não gera reflexo prático ou jurídico para terceiros, já que a criança não tinha bens ou herdeiros, assim como direitos sucessórios a serem resguardados. A mãe buscou o reconhecimento da adoção vivida na prática. 
“Reconheça-se então este amor da adotante, dando-lhe o alento que lhe resta, a saudade de uma filha que era, sim, sua, e uma história que deve ser lembrada como um verdadeiro exemplo de adoção incondicional, nem que seja nesta sentença”, concluiu o juiz. A menina esteve 11 dos seus 16 meses de vida com a mãe adotiva.

Glossário:
1. sui generis (do latim) - Diz respeito a algo ou alguém que é diferente, especial, peculiar. 
2. post-mortem (do latim) - Após a morte, no além-túmulo, na outra vida.
3. deferir - Conferir, conceder, aceitar.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Grazielli, uma lição de amor, humanidade e estatística




Recebi recentemente o contato de um casal de Mato Grosso do Sul, Janine e Rafael, pais da pequena Grazielli, que foi diagnosticada com anencefalia durante a gestação. Grazielli está hoje com 9 meses de vida. Essa reportagem foi feita sobre a história deles na época do julgamento do STF que aprovou o aborto de bebês diagnosticados com anencefalia na gestação.
Apesar de fazer parte de uma exceção, Grazielli também faz parte de uma realidade que tem se tornado cada vez mais evidente para mim, de que a anencefalia não é uma malformação 100% igual em todos os casos, não significa ausência total do encéfalo (estruturais cerebrais) e não é também 100% incompatível com a vida extrauterina. Que os médicos e pesquisadores não sabem de tudo a seu respeito e que há muito mais ainda a ser pesquisado. Tanto sobre a sua prevenção, uma vez que sabe-se que a ingestão de ácido fólico diminui em grande parte a sua incidência, mas não em 100% dos casos. Quanto sobre os seus graus e os possíveis cuidados a serem oferecidos a essa pequena parcela de bebês, que não somente sobrevive à forte campanha abortista existente, mas que também demonstra condições de viver por mais tempo fora do útero. Ainda não sabemos sua real porcentagem, se trata-se de 0,1%, 0,5%, 1%, 2% ou 5% de sobrevivência, pois os casos existentes são muitas vezes ignorados ou negligenciados.
Por dois dias Grazielli não recebeu a devida assistência que merecia e nem seus pais foram consultados sobre quais cuidados médicos e paliativos desejavam que lhe fosse oferecido. Se isso parece absurdo ou surpresa, para mim infelizmente não é, pois já ouvi relatos semelhantes por diversas vezes. Pouco interesse houve em investigar o quanto ela poderia sentir e perceber, se tinha sensações de prazer ou de dor. Seu diagnóstico pré-natal já havia lhe condenado à morte e lhe incluído em uma rígida e imutável estatística. Médicos levam estatísticas muito a sério. Mas Grazielli não sabia que existiam estatísticas a  seu respeito e não as obedeceu. Sua família também estava mais preocupada com a sua vida do que com as estatísticas. Quando o seu pai a pegou no colo, cantou para ela e lhe ofereceu carinho, como qualquer outro bebê recém-nascido Grazielli respondeu, reagiu, mostrou que estava viva e carecia de amor e proteção. Como qualquer outra criança. Era um bebê, um pequeno ser humano. Sim, é isto que uma criança com anencefalia é, e é isso que ela necessita durante o tempo em que vive, quer dentro do útero de sua mãe, quer fora dele. Quer por um minuto, uma hora, um dia, um mês ou um ano. Ou por quanto tempo mais ela queira viver. Quer se encaixe nas estatísticas existentes ou não.
Após nove meses de gestação e dois dias de vida fora do útero, finalmente Grazielli conquistou o status de paciente e de ser humano e passou a receber os devidos cuidados, foi examinada pela neurocirurgia, fez uma ressonância magnética e foi operada para corrigir a abertura existente em seu crânio, com sete dias de vida. E assim como minha filha Vitória, após enfrentar tantos desafios, demonstrar uma admirável teimosia em continuar viva, após alguns chorinhos e suspiros, ela também conseguiu mudar seu status de anencefalia para o de uma grave malformação cerebral. Mesmo ignorando as estatísticas, Grazielli as mudou. Só não sei ainda qual estatística que ela deverá mudar, se a de que a anencefalia é 100% fatal após o parto, ou se o de que os diagnósticos de anencefalia são 100% precisos na gestação. Ou quem sabe possam aceitar um novo parâmetro, de que a anencefalia é variável. Isso obviamente fica a encargo dos amantes das estatísticas. Nós aqui amamos nossos bebês e ficaremos com essa tarefa, a de amá-los e protegê-los durante o tempo em que viverem. O que talvez seja muito mais difícil e muito mais compensador. Mas, se quiserem, também podemos falar de vez em quando sobre estatística e humanidade. Pois até sobre isso esses preciosos bebês puderam nos ensinar.
Após 8 meses em casa com sua família, a pequena Grazielli foi internada e está há 27 dias em tratamento de problemas respiratórios. Seus pais, como desde o início, estão ao seu lado lhe amando e entregando sua vida nas mãos do seu Criador.
Notas - Atualmente estou em contato com 5 famílias que têm bebês diagnosticados com anencefalia e que estão vivos fora do útero, entre 3 meses a 2 anos e 8 meses de vida. Além de vários outros que, assim como minha amada Vitória, brilharam por um tempo aqui conosco e já nos deixaram. Todos compartilham sobre a imensa alegria pelo tempo que estão passando ou puderam passar com seus filhos, pelo quão doces e expressivos eles são. Mas também compartilham da imensa dificuldade em encontrar médicos capacitados e interessados em prestar assistência a seus filhos, em fazer algo mais por eles além de dizer friamente que não há nada a fazer (ou que não sabem o que fazer). Todos expressam ainda que seus bebês reagem, não se parecem nada com uma pessoa inconsciente e vegetativa, antes demonstram claramente reações de vínculo afetivo, de prazer, dor, sorriem, se movem, enfim, estão vivos e precisam de cuidado e de amor.
- Felizmente existem sim médicos humanizados, tanto na rede pública ou particular de saúde, que estão dispostos a ajudar crianças com deficiências neurológicas graves e ter uma melhor qualidade de vida, porém são exceção e nem sempre são encontrados facilmente. Tenho imensa gratidão por todos os profissionais de saúde que nos ajudaram a cuidar de nossa filha, e felizmente encontramos muitos deles durante nossa trajetória, mas isso rende assunto para um próximo post!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Literatura pela vida



Sexo e gravidez na adolescência. Aborto e anencefalia. Religião, bulling. Vida e Morte. Maternidade e amor. Sim, este é um livro juvenil que trata de questões sérias e reais com as quais muitos adolescentes se confrontam e se questionam. Num mundo que frequentemente traz respostas desencontradas, sem sentido e sem esperança, exemplos que inspirem, palavras que toquem na alma e no coração são raridade. E é isso que o jornalista capixaba Maxwell dos Santos traz em seu e-book As 24 horas de Anna Beatriz.

Anna Júlia é uma adolescente sonhadora de dezesseis anos que engravida do namorado Marco Antônio, de quinze. Em meio aos muitos desafios e ansiedades que chegam junto com a decisão de assumir uma gestação na adolescência, os dois ainda se confrontam com um dilema maior e mais doloroso, quando descobrem que o pequenino bebê que esperam tem anencefalia e morrerá logo após o nascimento. A partir daí o jovem casal percebe que precisará viver sua própria história, assumindo as consequências de suas ações e tomando suas decisões entre preconceito, esperança, lágrimas, amor e aprendizado.

O livro já pode ser baixado gratuitamente no site Issuu (clique aqui), Além disso, dia 29 de agosto às 19h terá coquetel de pré-lançamento na cidade de Vitória, no Ponto de Cultura – Varal Agência de Comunicação (R. Daniel Abreu Machado, 383, Itararé, Vitória/ES). Na ocasião, o publico poderá levar mídias de armazenamento como book reader, smartphones, tablets, pen drive, entre outros, para obter a obra.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A Catadora de lixo chinesa que salvou trinta bebês abandonados

 

Lou Xiaoying has been praised in China for saving more than 30 abandoned babies over the years

Lou Xiaoying tem sido aclamada na China por salvar mais de 30 bebês abandonados ao longo dos anos

Uma mulher foi aclamada como heroína após surgirem detalhes de seu trabalho impressionante com crianças abandonadas. Lou Xiaoying, agora com 88 anos e sofrendo de insuficiência renal, encontrou e criou mais de 30 bebês chineses abandonados nas ruas de Jinhua, na província oriental de Zhejiang, onde ela conseguiu ganhar a vida através da reciclagem de lixo.

 She is now dying from kidney failure and her husband died 17-years-ago. Lou said she loved watching the babies grow into healthy children
Lou está morrendo de insuficiência renal. Na foto ela aparece com duas das crianças que resgatou

Ela e seu falecido marido Li Zin, que morreu há 17 anos, mantiveram quatro filhos e passaram os outros para amigos e famíliares, para começarem uma nova vida. Seu filho mais jovem, Zhang Qilin - agora com apenas sete anos - foi encontrado em uma lixeira por Lou quando ela tinha 82 anos. "Mesmo que eu já estivesse ficando velha, eu não poderia simplesmente ignorar o bebê e deixá-lo morrer no lixo. Ele parecia tão doce e tão carente. Eu tive que levá-lo para casa comigo", disse ela. "Eu o levei para nossa casa, que é uma casa muito pequena e modesta no campo, e cuidei dele para que ficasse forte. Ele agora é um menino crescido, é feliz e saudável. Meus filhos mais velhos todos ajudam a cuidar de Zhang Qilin, ele é muito especial para todos nós. Eu o nomeei com a palavra chinesa para raro e precioso.

A little boy who was found abandoned by Lou is now cared for by her older children. The family have little money but still managed to save dozens of children


Um menino que foi encontrado abandonado por Lou agora é cuidado por seus filhos mais velhos. A família tem pouco dinheiro, mas ainda conseguiu salvar dezenas de crianças. Lou viveu da coleta e reciclagem de lixo, e disse que jamais deixaria as crianças depois de cruzar com elas, abandonadas
 
"Tudo começou quando eu encontrei o primeiro bebê, uma menina, por volta de 1972, quando eu estava catando lixo. Ela estava deitada entre o lixo da rua, abandonada. Ela teria morrido se não a tivéssemos resgatado e a levado conosco". Vê-la crescer e se tornar mais forte nos deu tanta felicidade e eu percebi que tinha um amor verdadeiro para cuidar de crianças. 'Eu percebi que, se tinha força suficiente para recolher o lixo, como não poderíamos reciclar algo tão importante como as vidas humanas", explicou.

 Lou, left, caring her the babies with her husband Li Zin. She would give them to friends and family after she rescued them

Lou, à esquerda, cuidando dos bebês com o marido Li Zin. Ela os entregava a amigos e familiares depois que os resgatava

"Essas crianças precisam de amor e cuidado. Elas são todas preciosas vidas humanas. Eu não entendo como as pessoas podem deixar um bebê tão vulnerável ​​nas ruas. Lou, que tem uma filha biológica, Zhang Caiying, agora com 49 anos, dedicou sua vida a cuidar dos bebês abandonados. Notícias sobre seus gestos de caridade já se espalharam pela China, onde milhares de bebês são abandonados nas ruas por seus pais atingidas pela pobreza.

Um fã explicou: "Ela é motivo de vergonha para os governos, escolas e pessoas que estão sem fazer nada. Ela não tem dinheiro ou poder, mas ela salvou crianças de morte ou coisa pior. Na comunidade local, ela é bem conhecida e respeitada por seu trabalho com os bebês abandonados. Ela faz o seu melhor. Ela é uma heroína local. Mas infelizmente há demasiadas crianças abandonadas na China que não têm esperança de sobrevivência".


Lou, que está agora no hospital, tornou-se ícone na sua aldeia e as pessoas dizem que ela deixa o governo e outras autoridades envergonhados
 
Só na semana passada houve a notícia de um bebê que teve a sorte de estar vivo depois de ter sua garganta cortada e em seguida, ser colocado em um saco plástico e jogado em uma lixeira na cidade de Anshan, na província de Liaoning, nonordeste da China.  Acredita-se que o bebê - uma menina - é mais uma vítima da política nacional de uma criança, onde os pais, restritos a terem apenas um único filho, preferem meninos. As meninas não são desejadas e são, muitas vezes, descartadas. O infanticídio de "crianças culpadas" ainda é um problema em áreas rurais, mas é raro nas cidades, onde as crianças são geralmente abandonadas, mas não mortas. O destino deste bebê horrorizou a China. O caso foi flagrado quando um transeunte foi jogar fora algum lixo e viu o que ele pensava ser um bebê morto dentro do saco.

Ele disse à polícia que a criança estava roxa e não tinha se mexido até que ele examinou o saco mais de perto. Um morador que presenciou a menina sendo levada para o hospital disse: "Ela ainda estava respirando e tinha batimento cardíaco. Tinha todo o corpo manchado de sangue que saía da ferida." Os médicos disseram que se a bebê tivesse ficado no saco por mais alguns minutos ela teria morrido de asfixia, pois já tinha sido afetada pela falta de oxigênio, por isso estava roxa. Eles disseram que o bebê tinha nascido prematuro com, provavelmente, entre 32 e 34 semanas de idade e pesando apenas 1,4 kg. Um médico disse que se o corte tivesse sido maior apenas um milímetro de profundidade, o bebê teria morrido.

The painted sign reads, 'It is forbidden to discriminate against, mistreat or abandon baby girls'

O aviso diz: "É proibido discriminar, maltratar ou abandonar meninas"
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